Advogada do Paraná é alvo de operação contra fraude de mais de R$ 3 bilhões em ICMS
15/07/2026
(Foto: Reprodução) CIRA-SP faz operação contra fraudes no ICMS
Uma operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) cumpre, na manhã desta quarta-feira (15), mandados de busca e apreensão em Londrina e Cambé, no Norte do Paraná. Um desses alvos é a advogada Mayra de Paula, apontada pela investigação como integrante de um dos principais núcleos do esquema.
As ordens judiciais são contra investigados por um suposto esquema de venda de créditos falsos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado. Segundo a investigação, o esquema pode ter sonegado mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários.
O g1 tenta identificar a defesa dos investigados.
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Mayra de Paula é apontada pela investigação como integrante de um dos principais núcleos do esquema. Segundo o CIRA/SP, ela é sócia de Nelson Wilians nas supostas fraudes. Em Cambé, também é alvo de buscas a empresa De Paula Advogados e Consultoria Jurídica, ligada à advogada.
Registro do cumprimento de um dos mandados de busca e apreensão.
Gaeco
Há ordens judiciais a serem cumpridas no escritório Nelson Wilians Advogados e em endereços de outras pessoas físicas e jurídicas relacionadas à investigação. Até o momento, não houve denúncia ou condenação dos investigados.
Além das cidades do Paraná, a polícia cumpre 38 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto. Não há mandados de prisão.
Esta reportagem está em atualização.
Operação do governo de SP mira esquema que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários
Divulgação
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, a organização usava empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional. Essas empresas emitiriam documentos fiscais para dar circulação artificial a créditos de ICMS, depois incorporados à escrituração fiscal de contribuintes.
O ICMS é a principal fonte de receita dos governos estaduais. É um tributo estadual que incide sobre a venda de produtos, a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e de comunicações.
Escritórios de advocacia, consultorias e intermediadoras participavam do esquema, segundo a investigação. Prospectavam clientes, montavam os contratos e elaboravam pareceres jurídicos para justificar a operação perante o Fisco.
Além do núcleo ligado ao Grupo Nelson Wilians, a apuração também mira agentes dos grupos Alpha e Dmc. Para justificar a origem dos créditos, os investigados alegavam, por exemplo, supostos direitos de massas falidas ou decisões judiciais antigas de desapropriação.
Para forjar aparência de legalidade, a organização recorria a práticas como: uso indevido de normas administrativas ou de decisões judiciais sem trânsito em julgado para justificar os créditos; apresentação de despachos que seriam falsos, atribuídos a auditores fiscais que não os assinaram; venda de créditos sem relação real com o ICMS, vinculados a empresas sem atividade; uso de "cessões" ou "gerenciamentos" simulados para formalizar o negócio ilícito.
O CIRA/SP abriu 874 Ordens de Serviço Fiscal para analisar cerca de 9.960 lançamentos suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. O comitê afirma que a apuração separa quem agiu de forma consciente do proveito ilícito de quem pode ter sido enganado de boa-fé.
A Secretaria da Fazenda já realizou verificações fiscais que culminaram na lavratura de autos de infração em 752 empresas.
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