Após chamar Celepar de 'obsoleta' para justificar venda, Governo do Paraná descreve empresa como 'inovadora' a possíveis compradores

  • 26/05/2026
(Foto: Reprodução)
Documento apresenta Celepar como empresa lucrativa para investidores Em um documento sigiloso elaborado pelo Governo do Paraná e apresentado a investidores em 2025, a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) é descrita como "estratégica", "lucrativa" e "inovadora". Entretanto, os conceitos contrastam com a justificativa usada pelo governador Ratinho Junior (PSD) para propor a venda. Em entrevista em fevereiro, o governador chamou a empresa de "obsoleta" e disse que a venda faz parte de um processo de "modernização". "[...] não tem nenhum motivo de não poder continuar essa modernização que nós queremos na Celepar. É importante a gente registrar que hoje o Tribunal de Justiça do Paraná, o Tribunal de Contas, e boa parte do Governo do Estado já não usam mais os serviços da Celepar, porque eles já estão obsoletos", disse Ratinho, à época. O documento que apresenta a empresa de armazenamento e gestão de dados já havia sido entregue aos potenciais compradores quando o governador deu a declaração. Em nota, o Governo do Estado explicou a diferença de discurso dizendo que o "crescimento sustentável" e "capacidade de inovação" da Celepar estão "severamente limitados pelo regime jurídico estatal". Leia a nota na íntegra abaixo. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Neste documento confidencial, a Celepar também é apresentada como "a primeira GovTech brasileira" – termo usado para descrever empresas que usam tecnologia para melhorar serviços públicos – e que a empresa atua nos 399 municípios do estado. O material usado para atrair investidores reforça o tamanho da estatal dentro da estrutura do Estado. Os 10 maiores clientes da empresa – e também os mais lucrativos – são todos setores do governo, como Detran, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Segurança Pública. No documento, a privatização aparece como oportunidade de negócio em um setor altamente lucrativo e em expansão. Os 134 contratos ativos da estatal somam R$ 2,6 bilhões, conforme os dados apresentados. Em 2024, a Celepar registrou receita líquida de R$ 495 milhões, com lucro de R$ 132 milhões. Em três anos, o crescimento na margem de lucro da empresa foi de 26,8%. O documento afirma que a Celepar possui “fortes vantagens competitivas", com crescimento significativo nos últimos anos, aliado a uma lucratividade superior à de empresas comparáveis do mesmo setor. O relatório também destaca aplicativos e sistemas usados diariamente pela população, como Nota Paraná, Detran, prontuários digitais da saúde, videomonitoramento urbano e plataformas educacionais – todos serviços geridos pela Celepar. A venda da estatal foi aprovada em regime de urgência pela Assembleia Legislativa do Paraná no final de 2024 e a intenção do governo era fazer o leilão na Bolsa de Valores de São Paulo no começo de 2026. Mas uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), barrou o processo de venda. O ministro apontou riscos à segurança dos dados dos cidadãos paraenses e levou a decisão para análise do plenário do STF. O processo deve voltar a ser analisado no mês de junho. ➡️LEIA MAIS: Celepar vai ser vendida? Privatização depende de análises do STF e Tribunal de Contas do Paraná Confira a nota do Governo do Paraná na íntegra: "O relatório financeiro e de potencial de mercado da Celepar reflete e valida o diagnóstico que o Governo do Estado vem apresentando desde o início do processo de desestatização: a companhia possui ativos tecnológicos valiosos e vocação para se consolidar como a principal govtech do país, mas seu crescimento sustentável e sua capacidade de inovação estão severamente limitados pelo regime jurídico estatal. A atual eficiência e a solidez financeira demonstrada nos balanços recentes são frutos de uma profunda mudança implementado na companhia pelo governador Ratinho Junior ao longo dos últimos anos. No passado recente, a empresa precisou ser salva pelos cofres estaduais para pagar a folha salarial dos seus funcionários. Para continuar competitiva e na vanguarda do setor de tecnologia, que exige um dinamismo incompatível com as amarras do setor público, a empresa necessita de agilidade analítica e operacional. Hoje, a estatal é incapaz de acompanhar o ritmo de inovação exigido pelo mercado global." Celepar foi fundada em 1964 e conta com 980 funcionários José Fernando Ogura/Arquivo AEN Processo de privatização está parado após STF apontar riscos à segurança de dados A Celepar está passando por um processo de privatização, proposto em novembro de 2024 pelo Governo do Paraná. O leilão estava marcado para o dia 17 de março, na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. No entanto, a privatização foi suspensa provisoriamente em 22 de fevereiro de 2026, após decisão do ministro Flávio Dino, que apontou um cenário de insegurança jurídica após "sucessivas decisões" do Tribunal de Contas do Paraná que paralisam e retomam o processo de privatização da companhia. O ministro também determinou que o Governo do Paraná adote medidas que garantam a proteção dos dados dos paranaenses. Depois da decisão do ministro do STF, o governador Ratinho Junior encaminhou para a Assembleia Legislativa um projeto que altera a lei que instituiu o Conselho Estadual de Governança Digital e Segurança da Informação (CGD-SI). O projeto foi aprovado. No despacho, o ministro Dino também determinou que o plenário do STF deve analisar a decisão dele, para validá-la ou não. Essa análise começou a ser feita em março, mas foi interrompida após um pedido de vistas do ministro Cristiano Zanin. O caso deve voltar a ser analisado no Supremo em junho. Enquanto o plenário do tribunal não concluir a discussão do tema, a decisão cautelar de Flávio Dino segue valendo e o leilão da empresa segue suspenso. O documento sigiloso que apresenta a Celepar a potenciais compradores também aborda o tema da segurança de dados. O relatório afirma que a empresa armazena informações do estado em bancos de dados interligados, mantém investimentos significativos em segurança cibernética e possui mecanismos robustos de proteção alinhados à lei geral de proteção de dados. A Celepar foi fundada em 1964 e tem 980 funcionários. Na empresa ficam os servidores que guardam todos os dados dos paranaenses, como informações sobre educação, históricos médicos, infrações de trânsito, pagamentos de impostos e segurança pública. No início de fevereiro a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) assinou um contrato de R$ 438 milhões com a Celepar para prestação de serviços como computação em nuvem, consultoria especializada e soluções voltadas a informações estratégicas da área de segurança. O contrato foi assinado um dia antes da publicação do edital do leilão para a privatização da empresa. Leia também: Pneu estourou: Aeroporto de Londrina é fechado após aeronave da Força Aérea fazer pouso de urgência na pista Veja valores: 20 apostas do Paraná acertam quina da Mega-Sena 30 anos e levam prêmios Fé: Irmãos são ordenados padres no mesmo dia, na igreja que cresceram frequentando, no PR VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/05/26/apos-chamar-celepar-de-obsoleta-para-justificar-venda-governo-do-parana-descreve-empresa-como-inovadora-a-possiveis-compradores.ghtml


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