Após prisão de comandante de elite da polícia, operação mira outros policiais por tráfico em MS e no PR
17/04/2026
(Foto: Reprodução) Comandante da elite da polícia é preso suspeito de usar viatura para traficar em MS
A Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) realizou, nesta sexta-feira (17), a segunda fase da operação “Rota Blindada”, que investiga um grupo criminoso suspeito de usar a posição de agentes de segurança para tentar proteger atividades ilegais, principalmente o tráfico de drogas.
Na primeira fase da operação em fevereiro deste ano, o comandante do Grupo Tático de Escolta (GTE), Antonio Fernando Martins da Silva, foi preso por usar a viatura oficial para transportar drogas .
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Nesta etapa, foram cumpridos oito mandados de prisão e 13 de busca e apreensão. As ações aconteceram em Mato Grosso do Sul, nas cidades de Campo Grande e Corumbá, e também no Paraná.
Entre os alvos está um policial militar, que já havia sido preso no início desta semana em outra operação. Segundo a investigação, o grupo usava cargos dentro das forças de segurança para facilitar crimes e evitar fiscalização, funcionando como uma espécie de “blindagem” para as ações ilegais.
O g1 não encontrou as defesas dos policiais.
O que já se sabe da primeira fase
Esquema usava viatura caracterizada para driblar fiscalização, aponta investigação
Reprodução
A primeira fase da “Rota Blindada” foi realizada em fevereiro, em Corumbá, pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
Na época, o policial penal Antonio Fernando Martins da Silva, que era comandante do Grupo Tático de Escolta (GTE), foi preso suspeito de usar uma viatura oficial para transportar drogas no estado. Após a prisão, ele foi afastado do cargo.
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Segundo a Denar, o policial usava a função e uma viatura caracterizada para fazer o transporte da droga. A estratégia, conhecida no meio criminoso como “frete seguro”, consistia em utilizar veículo oficial para reduzir o risco de fiscalização nas rodovias.
Conforme os investigadores, a estrutura era usada para dar aparência de legalidade ao transporte e evitar abordagens.
Ligação com outras operações
Imagens flagraram ação de policiais durante furto de droga em Campo Grande
Polícia Civil de MS
Um dos investigados nesta fase é o policial militar Lucas Villegas, preso na última terça-feira (13) durante a operação “Lealdade Corrompida”.
Na ocasião, ele e o policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos foram presos suspeitos de envolvimento no furto de drogas, em Campo Grande. A investigação aponta que o grupo teria se passado por agentes de segurança para cometer o crime.
Segundo a investigação da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), os suspeitos retiraram uma grande quantidade de entorpecentes de uma casa na capital. Não foi informado a quantidade de droga furtada.
O delegado André Mendonça, responsável pelas investigações, informou que a ação teria sido planejada e executada de forma organizada, com uso de estrutura e aparência semelhantes às de operações policiais.
Durante o cumprimento dos mandados, outras duas pessoas foram presas temporariamente. Um quinto investigado não foi encontrado e é considerado foragido. Os demais envolvidos não são servidores públicos, conforme apuração do g1. Os policiais presos foram levados à delegacia e permaneceram em silêncio durante o depoimento.
A Polícia Civil segue apurando o caso para identificar todos os envolvidos e entender como o grupo atuava dentro das estruturas de segurança pública.
O que dizem as autoridades
Polícia Civil deflagra segunda fase de operação contra agentes de segurança que transportavam drogas
Divulgação Polícia Civil
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informou que abriu procedimento administrativo para investigar o caso e afirmou que não aceita desvios de conduta. Disse ainda que possíveis irregularidades são de responsabilidade individual e não representam a instituição.
A Polícia Militar também se manifestou e confirmou que um de seus integrantes está entre os investigados. A corporação destacou que acompanha o caso, instaurou procedimento interno e reforçou que não tolera condutas ilegais.
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