Bombardeios inesperados, pouca comida e falta de banho: paranaense relata drama para tentar deixar o Líbano com filha de 5 meses

  • 27/03/2026
(Foto: Reprodução)
Paranaense relata drama para tentar deixar o Líbano com filha de 5 meses Chirin Hussein Jaber, de 30 anos, tenta há três semanas deixar o sul do Líbano com a filha Fátima Hadi Mokh, de cinco meses. A paranaense fugiu de bombardeios em Nabatieh, na cidade em que morava, e desde então enfrenta abrigos lotados, falta de comida e de higiene. Natural de Foz do Iguaçu, ela está no Líbano há três anos, desde que se casou com um libanês. “Eu choro todos os dias. [...] Cada vez que acontece bombardeio eu fico chorando. Quando sobem os aviões parece que você vai ser bombardeado a qualquer momento”, diz ela. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp Chirin solicitou à Embaixada do Brasil em Beirute a emissão do passaporte de emergência da sua filha e repatriação ao Brasil. O passaporte foi emitido, mas sobre o último pedido, ainda não houve resposta. A embaixada confirmou ao g1 que foi acionada por Chirin e disse que presta assistência consular, contudo, não pode divulgar informações sobre os serviços. Chirin e filha estão há três semanas tentando retornar ao Brasil Arquivo pessoal A tensão entre o Exército de Israel e o grupo Hezbollah, em meio à guerra entre o Irã, Israel e Estados Unidos, se intensificaram desde o início do mês. O ministro da Saúde do Líbano, Rakan Nassareddine, disse em entrevista coletiva que o número de mortos chegou a 634, e mais de 800 mil pessoas foram deslocadas apenas nos primeiras 10 dias de conflito. O númer de mortos incluía 91 crianças. No domingo (22), as forças israelenses realizaram um ataque aéreo contra a ponte Qasmiyeh, que fica a cerca de 40 quilômetros da cidade em que Chirin vivia. Além do ataque à ponte, que representa um ponto logístico importante entre regiões do país, o ministro da Defesa de Israel também intensificou a demolição de casas libanesas localizadas próximas à fronteira com Israel. A casa de Chirin fica a menos de 20 quilômetros da fronteira com Israel. Segundo ela, imóveis vizinhos foram atingidos e a orientação era abandonar a região. “A gente estava em perigo. Começaram a bombardear três horas da manhã. Eu só peguei meu passaporte, coloquei o que estava na frente e fugi com minha filha”, diz ela. Ela e a filha fugiram para Sídon, que fica no litoral do Líbano. O trajeto que normalmente seria feito em 30 minutos, durou cerca de 13 horas por causa do trânsito provocado pelo deslocamento em massa de moradores. Longas filas se formaram após primeiros ataques de Israel ao Líbano Arquivo pessoal Guerra no Oriente Médio: Secretário-geral da ONU diz que guerra no Oriente Médio está fora de controle Estados Unidos e Israel voltaram a bombardear alvos militares do Irã Líbano diz que balanço da guerra chega a 634 mortos e mais de 800 mil deslocados Abrigos lotados de deslocados Paranaense e filha de 5 meses estão abrigadas em escola A fuga aconteceu no dia 3 de março. Nos primeiros dias, elas encontraram dificuldades para encontrar abrigo. As cidades libanesas que estão recebendo pessoas deslocadas de áreas de bombardeio estão utilizando escolas como abrigos improvisados para as famílias, diz Chirin. “Os abrigos estavam lotados. Passamos a noite inteira na rua. Depois fomos procurar outra escola, mas também falaram que estava lotada. A gente ficou chorando pra deixarem a gente entrar, nem que fosse pra ficar no corredor, só eu e minha filha”, conta a mãe. Segundo ela, as escolas estão cheias e com dificuldade em oferecer itens básicos como colchões, cobertores, comida e itens de higiene. Atualmente, elas estão em um instituição onde dividem espaço com outras 19 pessoas. “Dormimos no chão por uma semana, só agora conseguimos colchão. Fazia uma semana que eu estava sem tomar banho, hoje consegui tomar”, diz. “Também tem vezes que como e vomito tudo, não sei de onde vem a comida”. Abrigos temporários em escolas reúnem deslocados de várias regiões do país Arquivo pessoal A bebê, Fátima Hadi Mokh, está doente e precisará passar o próximos três dias internada no hospital. Segundo a mãe, a médica disse que a bebê está com suspeita de bronquiolite. “Ela pegou gripe e tosse. A médica disse que ela é muito pequena para tomar certos remédios e precisa ficar internada. Aqui a imunidade fica baixa, e tem muita gente no mesmo espaço”. Atualmente, a cidade onde Chirin está registra temperaturas amenas, com mínimas que chegam a 11 °C durante a noite. Leia também: Aprova Paraná: Respostas 'avançadas' de alunos com padrão 'abaixo do básico' levantaram suspeita de fraude Litoral: Espécie rara de baleia é resgatada com marcas de mordida de tubarão Ubiratã: Neto viaja mais de 600 km para matar avô e roubar joias de ouro do idoso Fuga de bombardeios e insegurança A paranaense conta que também enfrenta dificuldades para se locomover e depende de táxis para se deslocar entre áreas consideradas mais seguras. Em momentos de risco, quando recebe alertas de bombardeio, ela diz que segue para regiões próximas ao mar. “A gente acredita que não vão bombardear o mar. Então ficamos na rua perto do oceano até passar”, explica. Além disso, segundo ela, estar na faixa de areia também evita que sejam atingidas por estilhaços de construções ou veículos que possam ser atacados. Chirin conta que, além do medo constante de bombardeios, ela se preocupa com a insegurança dentro dos abrigos improvisados. “Eu levo minha filha para o banheiro comigo. Passo a noite acordada olhando ela. Não tem como eu deixar ela com ninguém, tenho medo de a levarem. Estamos sozinhas”, diz. Busca por documentos e retorno ao Brasil Chirin tenta deixar o país com a filha o mais rápido possível. Ela solicitou à embaixada brasileira a emissão de documentos emergenciais para a criança, incluindo certidão de nascimento e passaporte. O marido de Chirin é libanês e atua no exército do país. Por isso, ele não pode acompanhar a família e nem viajar ao Brasil. No entanto, ele assinou a autorização para que a criança deixe o país com a mãe. Segundo ela, inicialmente o prazo informado para a documentação era longo. “Disseram que só teria para maio, mas eu não posso esperar. A cada dia tem bombardeio”, relata. Após insistência, a embaixada iniciou o processo para emissão de um passaporte emergencial e informou que está pronto. Como Chirin está no hospital com a filha, que está internada, ainda não conseguiu buscar. A família, em Foz do Iguaçu, também busca apoio do Governo Federal para viabilizar o retorno. “Falaram que poderiam enviar aviões para buscar brasileiros, mas primeiro ela precisa ter o passaporte do bebê”, diz o irmão Hade Hussein Jaber. Os voos de Beirute, na capital do Líbano, para Curitiba, no Paraná, estão custando mais de R$ 25 mil. Hade diz que, se a embaixada não viabilizar voos para a irmã, vai tentar comprar uma passagem, mas a família ainda não tem o valor total do trajeto. A viagem de Sídon até o aeroporto de Beirute dura cerca de uma hora. Chirin diz que só vai se arriscar a realizar o trajeto quando o voo estiver confirmado. A capital libanesa tem sido algo de ataques desde o início de março, quando caças de Israel atingiram alvos do Hezbollah. Ao menos 31 pessoas morreram e outras 149 ficaram feridas. Posicionamento do Itamaraty O Ministério das Relações Exteriores informou que mantém contato com brasileiros na região desde a escalada de hostilidades, registrada em 28 de fevereiro. De acordo com o órgão, o contato com a comunidade brasileira é constante, com o intuito de mapear a localização e enviar orientações. Também auxiliam a encontrar abriga adequado e divulga uma lista de profissionais de saúde que estão prestando atendimento online gratuito. O governo brasileiro também realiza contato com autoridades locais no Líbano para acompanhar a reabertura dos espaços aéreos. O espaço aéreo libanês está aberto, mas não há voos diretos para o Brasil. A embaixada em Beirute disponibiliza passagens para brasileiros junto à Middle East Airlines. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2026/03/27/paranaense-drama-fuga-libano-com-filha.ghtml


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