Casagrande estreia monólogo no Festival de Curitiba

  • 12/03/2026
(Foto: Reprodução)
O ex-jogador e comentarista esportivo Walter Casagrande Jr. estreia no teatro com o monólogo “Na Marca do Pênalti”, que terá apresentação nacional na 34ª edição do Festival de Curitiba. O espetáculo será exibido nos dias 3 e 4 de abril, às 20h30, no Guairão. No palco, Casagrande revisita a própria trajetória em um relato autobiográfico que mistura momentos marcantes da carreira no futebol, a luta contra a dependência química e o processo de reconstrução pessoal. A dramaturgia é assinada por Casagrande, André Acioli e Fernando Philbert, que também dirige a montagem. Dividido em “dois tempos” de 45 minutos, em referência a uma partida de futebol, o espetáculo se destaca por não ter roteiro fixo. Segundo Casagrande, a apresentação é guiada pela memória e pela espontaneidade. “Eu subo no palco para falar a verdade da minha vida. Não preciso de roteiro, porque tudo está na minha cabeça”, afirma. Ídolo do Sport Club Corinthians Paulista e um dos rostos da histórica Democracia Corinthiana, movimento que marcou o futebol e o cenário político brasileiro nos anos 1980, Casagrande também aborda episódios pessoais que influenciaram sua trajetória, como o período de dependência química e o processo de recuperação. O título da peça faz referência às decisões importantes da vida. “Todos nós ficamos várias vezes na marca do pênalti. Nem sempre a decisão muda tudo, mas existem momentos que são decisivos”, explica. Para o ex-atacante, a apresentação é também um convite à reflexão. “Eu continuo com a mesma rebeldia, mas aprendi que nem toda guerra vale a pena”, diz. Sem texto decorado e com interação direta com o público, cada apresentação tende a ser diferente. “Eu começo contando a minha história, mas depois de um tempo ela vira a história de todo mundo ali”, afirma. Em cena, o ídolo do Corinthians revisita a própria trajetória em um relato autobiográfico. Divulgação: Ronaldo Gutierrez Confira a entrevista exclusiva que ele deu para o Festival de Curitiba: Você estreia seu monólogo “Na Marca do Pênalti” na 34ª edição do Festival de Curitiba. O que representa para você levar essa história pessoal para um dos maiores festivais de teatro da América Latina? Fui pego de surpresa, com o convite, para apresentar meu monólogo num Festival tão importante como o de Curitiba. Esse monólogo é espontâneo, livre, direto como eu sempre fui e representa um passo diferente e inesperado para mim. Ao mesmo tempo, contar minha história é passar adiante experiências de vida. Você já enfrentou estádios lotados ao longo da carreira. Subir ao palco do Guairão provoca um frio na barriga diferente do futebol? O frio na barriga faz parte da importância que a gente dá para algo que iremos fazer. É a parte mais gostosa e que te faz focar totalmente no espetáculo. Entrar no Teatro Guaíra é entrar no Maracanã lotado para jogar pela seleção brasileira. Dá frio na barriga porque é lindo! Em campo, você tinha o domínio do jogo. No teatro, onde tudo depende da palavra e da emoção, como tem sido esse novo desafio? Eu me apresentei uma única vez, no dia 02/12/25, no teatro do Corinthians e foi uma sensação incrível. É como se fosse uma terapia em grupo porque conto a minha história com o coração aberto, como já fiz mil vezes no meu tratamento e em entrevistas. Só que as pessoas estão lá no momento em que conto e a troca de energia é simplesmente contagiante. Como o público reagiu? Lá no Corinthians, foi maravilhosa a reação das pessoas. Tanto que fui convidado para o Festival de Curitiba e vários teatros de São Paulo querem que eu apresente também. A reação foi incrível. O espetáculo não tem roteiro e é construído a partir da sua própria memória. Como surgiu a ideia de transformar sua trajetória em um monólogo? Eu fui procurado pelo diretor de teatro, Fernando Philbert. Conheci-o numa peça de teatro que fui assistir. Algumas semanas depois, tomamos um café e ele me falou dessa ideia de eu fazer um monólogo, contando a minha história. Achei interessante, mas a única condição que coloquei foi: não ter um texto e que o roteiro seria feito, na hora, como iria passar na minha cabeça. Não sou ator e nem me considero um personagem. Sou uma pessoa comum e a minha história é igual à das pessoas. O espetáculo se destaca por não ter roteiro fixo. Divulgação: Ronaldo Gutierrez O título “Na Marca do Pênalti” fala sobre decisões da vida. Quais foram os “pênaltis” mais difíceis que você precisou bater ao longo da sua história? Poxa! Bati muitos pênaltis na minha vida. Alguns mais fáceis, outros dificílimos e outros necessários para a minha vida. O mais importante foi o meu tratamento. Era um pênalti que eu não poderia marcar o gol e nem ir para fora, porque o goleiro era o meu psiquiatra e ele teria que pegar o meu pênalti. Porque iria representar que ele iria aceitar me tratar. Sem dúvida, esse pênalti mudou completamente a minha vida para melhor. No palco, você fala de futebol, vício, recuperação e família. O que mais te emociona ao revisitar essas histórias diante do público? O que mais me emociona é quando falo da minha família: do alcoolismo do meu pai, da morte precoce da minha irmã e da forma incrível que fui educado. Você viveu momentos de glória no futebol, mas também enfrentou o vício. Como foi transformar essas experiências tão intensas em narrativa para o teatro? Eu sou livre, espontâneo, verdadeiro e levo isso para o palco. Quando você fala a verdade, não existe dificuldade. Você imaginava que um dia estaria no palco contando sua própria história? Nunca passou, na minha cabeça, subir num palco de teatro para me apresentar. Porque sempre vi o teatro com atores incríveis, atuações memoráveis e eu não sou ator. O único modo, que teria para eu subir no palco, era sem texto e sem roteiro. Sua trajetória de recuperação é uma das partes mais marcantes da sua história. O que mudou em você depois de atravessar esse processo? Mudou como eu lido com a minha liberdade e o meu autoconhecimento que foi o núcleo da minha mudança. Eu continuo sendo intenso; continuo tendo pensamentos psicodélicos. Sou do rock, mas troquei o prazer da loucura pelo prazer do cinema, do teatro e da cultura como um todo e isso não deixa de ser louco também. Hoje, olhando para trás, qual foi o momento mais difícil dessa caminhada de reconstrução? O momento mais difícil foi aceitar que estava doente, com dependência química e que minha única saída era mudar o modo de enxergar a vida. Qual você considera que são as “guerras” que realmente valem a pena travar? As guerras, que valem a pena, são aquelas que travamos por princípios, valores, conceitos e por filosofia de vida. As únicas guerras que valem a pena são as suas próprias. Se pudesse voltar no tempo e conversar com o Casagrande jovem, aquele que estava começando no futebol, que conselho daria a ele antes de bater os pênaltis mais difíceis da vida? Eu não falaria nada, porque ele teria que fazer do jeito que ele quisesse, como foi. Eu tenho um instinto de liberdade altíssimo e aprendi a lidar com isso, mas continuo valorizando muito o poder de escolha. Por isso, deixaria o Casagrande adolescente decidir do jeito que passasse na sua cabeça. Serviço: Na Marca do Pênalti - Mostra Lucia Camargo 34º Festival de Curitiba Data: 3 e 4 de abril, às 20h30 Local: Guairão (Rua Conselheiro Laurindo, 175 – Centro) Classificação: 14 anos Duração: 80 min 34º Festival de Curitiba Data: 30 de março a 12 de abril Valores: de R$ 0 a R$ 85 (mais taxas administrativas) Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico. De segunda a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 14h às 20h).

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/festival-de-curitiba/noticia/2026/03/12/casagrande-estreia-monologo-no-festival-de-curitiba.ghtml


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