(Foto: Reprodução) Uma área que antes era um terreno vazio hoje produz verduras, temperos e memórias no Lar dos Idosos da APA (Associação Promocional e Assistencial de Toledo), em Toledo, no oeste do Paraná.
A horta da instituição é mantida pelo aposentado Domingos Fabiano de Souza, de 71 anos. O trabalho, que começou como voluntariado, passou a fazer parte da rotina do idoso e também contribui para a alimentação e a manutenção da entidade.
O espaço foi doado pela empresa Prime Agro, que também construiu a estrutura da estufa. Segundo Domingos, antes da iniciativa o local era um terreno baldio. “Como essa companhia percebeu que o espaço não estava sendo utilizado, decidiu que doaria o terreno ao Lar dos Idosos e ainda construiu toda essa estrutura da estufa”, contou.
A APA foi criada em 15 de julho de 1982 pelos irmãos Wilibaldo, Bertha e Ema Hübner. Atualmente, a instituição tem capacidade para atender 42 pessoas e acolhe 39 idosos, oferecendo serviços como alimentação, moradia, vestuário, cuidados de saúde, transporte, lazer e espiritualidade.
A APA foi criada em 1982 e atualmente acolhe 39 idosos.
Divulgação/Yudi Kajiyama Guimarães.
Do voluntariado ao trabalho
Antes de ser contratado para cuidar da horta, Domingos passou dois anos trabalhando voluntariamente na instituição. A atividade, que inicialmente era uma forma de ajudar, acabou se tornando uma ocupação que ele considera prazerosa.
“Foi uma bênção. Depois que me aposentei da construção civil fiquei aqui como voluntário. Para mim foi uma surpresa, estava fazendo isso de graça porque amo essa sensação que tenho quando vejo as verduras e demais plantas que cultivo aqui crescerem”, compartilhou.
Após o período como voluntário, ele foi contratado pela empresa responsável pela doação do espaço para continuar cuidando da horta. A rotina começa às 7h30 e, embora o expediente termine às 11h30, Domingos conta que frequentemente permanece mais tempo no local.
“Não consigo parar às 11h30. Sei que sou contratado para fazer somente esse horário, mas como sempre tem algo a se fazer na terra, fico até mais tarde, apenas cuidando das verduras, plantas, flores e tudo mais”, comentou.
Entre os cultivos estão alface, repolho, mandioca, alecrim, salsinha, cebolinha e hortelã. Parte da produção é utilizada nas refeições oferecidas aos idosos.
Quando a quantidade produzida supera a demanda da instituição, os alimentos podem ser doados para outras entidades de Toledo ou comercializados. A renda obtida ajuda nas despesas e na manutenção da APA.
A produção da horta é utilizada nas refeições dos idosos e, quando há excedente, pode ser doada ou comercializada.
Divulgação/Yudi Kajiyama Guimarães.
Horta como atividade e bem-estar
Além de contribuir para a alimentação e a renda da instituição, o cultivo também proporciona a Domingos uma rotina de contato diário com a terra. Atividades de jardinagem e horticultura podem contribuir para o bem-estar ao estimular movimento, contato com a natureza e realização de tarefas manuais.
Para quem cultiva, o trabalho também pode representar uma forma de manter uma rotina ativa e um propósito no dia a dia. No caso de Domingos, a sensação de acompanhar o crescimento das plantas é o que mantém a motivação para continuar.
“A cada dia me sinto mais novo. Claro, sinto algumas dores no joelho e nas costas algumas vezes, mas faz parte do processo. Essas dores e o cansaço são recompensados quando vejo tudo isso crescendo e se tornando comida para os outros”, reflete Domingos.
Para ele, a horta deixou de ser apenas um local de trabalho.
Para o aposentado, acompanhar o crescimento das plantas é uma das principais motivações para continuar trabalhando na horta.
Divulgação/Yudi Kajiyama Guimarães.
A terra que antes estava vazia hoje faz parte da rotina do Lar dos Idosos. Entre verduras, temperos e flores, a horta passou a cumprir diferentes funções: alimenta, contribui para a renda da instituição e mantém viva a relação de Domingos com o trabalho que encontrou depois da aposentadoria.
Texto produzido por Yuji Kajiyama Guimarães, acadêmico do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, sob orientação da professora Julliane Brita, para a 24ª edição da Revista Verbo, veiculada na 5ª edição do City Farm FAG.