Mãe espanca filhas no PR: juiz cita lei Henry Borel para estabelecer medidas protetivas às adolescentes

  • 23/01/2026
(Foto: Reprodução)
Adolescentes foram espancadas pela mãe após se recusarem a ir a festa, no Paraná. Reprodução As duas adolescentes agredidas no meio da rua pela mãe, em Centenário do Sul, no norte do Paraná, conseguiram medidas protetivas contra a mulher. No documento obtido pelo g1, o juiz citou a Lei Henry Borel para fundamentar a decisão. Entenda mais abaixo. As medidas foram concedidas às vítimas um dia antes da mulher ser presa. Elas incluem afastamento do lar, proibição de aproximação e contato, suspensão de visitas, inclusão em programas socioassistenciais e acompanhamento psicossocial. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Maringá no WhatsApp Para conceder as medidas, o juiz considerou que este não foi o primeiro caso em que as adolescentes foram agredidas pela mãe, além dela ter outras passagens policiais por agredir adultos. Por isso, ele julgou que, caso as vítimas continuassem junto a mãe, estariam correndo risco de serem violentadas novamente. As medidas protetivas são as seguintes: Afastamento da mãe da casa onde vivia com as filhas, autorizando apenas a retirada de pertences pessoais, roupas, documentos e objetos de higiene pessoal; Proibição de aproximação da mãe com as filhas, devendo manter distância mínima de duzentos metros; Vedação de contato da mãe com as vítimas, seus familiares e testemunhas, por qualquer meio de comunicação; Proibição da mãe de frequentar a casa onde as vítimas estão, a escola onde elas estudam e outros locais de convivência das adolescentes; Suspensão temporária do direito de visitas pelo prazo de seis meses, com reavaliação periódica; Guarda provisória das vítimas à avó materna; Inclusão das vítimas em atendimentos psicossociais através da rede municipal de assistência social. Lei Henry Borel A lei surgiu em homenagem a Henry Borel, encontrado morto no dia 8 de março de 2021, aos quatro anos. Ele tinha sinais espancamento e sinais de tortura e estava no apartamento em que morava com a mãe e o padrasto no Rio de Janeiro. O caso ainda será julgado. A lei foi promulgada em maio de 2022 e adotou conceitos similares aos aplicados pela Lei Maria da Penha. Com ela, foi definido como violência doméstica e familiar contra a criança e ao adolescente qualquer ação ou omissão que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico ou dano patrimonial. A legislação considera os casos que possam acontecer no âmbito domiciliar da família e em qualquer relação doméstica e familiar na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a vítima. "Naquele precedente, o Ministro Ribeiro Dantas consignou expressamente que a finalidade protetiva da Lei Henry Borel autoriza a proibição do contato, por qualquer meio, entre a criança ou adolescente vítima de violência e o agressor, devendo as medidas permanecer enquanto persistirem os riscos, sendo que a instância ordinária, mediante valoração do acervo probatório, pode entender de forma fundamentada pela necessidade de manutenção das medidas protetivas", fundamentou o juiz. Violência e abuso sexual infantil: saiba como denunciar LEIA TAMBÉM: Registros: Casa que filmou jovem fugindo de tornado também flagrou cachorro arrastado pelo vento Entenda o fenômeno: nuvem funil é registrada pela terceira vez em menos de um mês no Paraná Cascavel: Homem é investigado por furtar caixinha de doações destinadas ao Hospital do Câncer Mãe agrediu as filhas no meio da rua No dia 10 de janeiro deste ano, as vítimas foram novamente agredidas pela mãe, desta vez, no meio da rua. O g1 apurou que as agressões aconteceram depois que as jovens, que têm 12 e 15 anos, se recusaram a acompanhar a mãe em uma festa em Jaguapitã, cidade a pouco mais de 45 km do local. A agressão foi registrada por câmeras de segurança. Enquanto batia nas filhas, a mulher chegou a chamar uma das adolescentes de "macaca". O g1 optou por não expor o vídeo da agressão e não divulgar o nome da mulher para preservar a identidade das vítimas, que são adolescentes. Em um documento do processo obtido pelo g1, consta que as jovens foram agredidas com socos, tapas e empurrões e depois buscaram ajuda na casa da avó. Essas agressões foram filmadas por testemunhas. Durante a noite, a avó e as netas encontraram a mãe das adolescentes em outra festa na região. Na ocasião, a mãe agrediu as jovens novamente e forçou a entrada delas em um carro. Contudo, as adolescentes conseguiram fugir a pé e buscaram abrigo na casa de uma conselheira tutelar. No dia seguinte, a Polícia Militar (PM-PR) acompanhou as vítimas até a casa da mãe, para que elas pudessem retirar objetos pessoais. No local, a mulher foi encontrada desacordada e a polícia suspeita que estivesse bêbada e sob efeito de drogas. A PM relatou que a mulher apresentou "comportamento extremamente alterado" ao acordar e também ameaçou a conselheira tutelar. As adolescentes foram transferidas para outra cidade, aos cuidados da avó. Segundo o Conselho Tutelar, as vítimas já tinham saído de casa em outras ocasiões por estarem em situação de violência recorrente. A Polícia Civil (PC-PR) e ao Ministério Público (MP-PR) consideraram que as adolescentes estavam em um ambiente de risco e representaram pela prisão preventiva da mulher, que foi decretada no dia 13 de janeiro. A mãe das adolescentes segue presa e, neste caso, está respondendo pelos crimes de lesão corporal no âmbito doméstico e injúria racial. Nesta terça-feira (20), o MP ofereceu outra denúncia contra a mulher. Mulher também foi processada por agredir as adolescentes em 2024 A mulher também está respondendo a outro processo por ter agredido as mesmas adolescentes há pouco mais de um ano. O g1 apurou que o caso aconteceu em outubro de 2024, quando a mãe agrediu as filhas com uma garfada no braço, mordidas e tapas no rosto. As adolescentes tiveram "múltiplas lesões corporais", como escoriações e hematomas, e o caso foi registrado na Polícia Civil (PC-PR). Por conta deste caso, em junho de 2025, a mulher foi denunciada pelo Ministério Público (MP-PR) pelos crimes de lesão corporal no âmbito doméstico, qualificado por motivo fútil. Também foi solicitado pelo órgão que cada uma das vítimas receba uma indenização de R$ 5 mil por danos morais. A denúncia foi aceita pelo Poder Judiciário no mês seguinte. A previsão é de que a audiência sobre caso seja realizada em março deste ano. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/01/23/mae-espanca-filhas-no-pr-juiz-cita-lei-henry-borel.ghtml


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