Namorada de jovem que morreu após ser torturado e cair do 14º andar no Paraná foi afastada do quarto e não é investigada, diz polícia

  • 01/09/2026
(Foto: Reprodução)
Perícia aponta tentativa de acesso a apartamento antes de queda de jovem em Londrina Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, estava no apartamento onde a namorada morava com cinco colegas de trabalho quando foi torturado e caiu do 14º andar, de acordo com a Polícia Civil. O caso foi registrado em Londrina, no Norte do Paraná. Ao g1, o delegado Roberto Fernandes, responsável pela investigação, disse que a mulher não é investigada porque foi afastada do quarto onde a violência aconteceu, conforme os depoimentos colhidos. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp A RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, teve acesso ao depoimento da namorada. Ela disse que tentou intervir quando as agressões começaram, mas foi ameaçada. "Eu acho que eu fiquei com medo. Na verdade, eu queria muito abrir a porta e falar para eles pararem, né? Só que eu não fiz isso, porque da primeira vez que eu tentei, falaram para mim que não era para me meter, para mim [sic] ficar pra lá", a mulher falou no depoimento. A morte aconteceu no dia 14 de agosto. Fernandes explicou na última sexta-feira (28) que Alexandre caiu ao tentar acessar o apartamento abaixo do que ele estava, pela sacada. Antes, conforme a apuração da polícia, ele foi dopado, agredido e trancado em um quarto. Quatro homens com idades entre 22 e 24 anos estão presos preventivamente e não tiveram os nomes divulgados. Suspeitos acusaram vítima de furto A suspeita de furtos foi o motivo apresentado pelos suspeitos à polícia para tentar justificar a tortura aplicada no jovem. Segundo o delegado, os homens suspeitavam que Alexandre havia furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil e um celular deles. Em depoimento, um dos suspeitos também disse que a vítima teria assumido o furto de R$ 500 dele. "Tem depoimento de uma testemunha que relata que eles falaram que, assim que amanhecesse o dia e descobrissem onde estava a câmera fotográfica que havia sido furtada, que o rapaz, em tese, teria vendido, eles o levariam para o mato e dariam corretivo nele", disse Fernandes. Até a última atualização desta reportagem, não há confirmação oficial de que Alexandre tenha cometido os crimes. Conforme o delegado, para o inquérito ser concluído, ainda é necessário o laudo toxicológico do corpo da vítima. "Essa morte, ainda que não tenha ocorrido diretamente da tortura, nós entendemos que ela decorreu da situação, ou seja, da vítima tentar fugir do cativeiro. Se ao final ficar configurada só a tortura, a pena é de 2 a 8 anos. Se ficar configurada a tortura com o resultado morte, a pena vai para 8 a 16 anos, com o agravante do cativeiro, do sequestro, que ainda pode ser aumentada de 1/6 a 1/3." Como foi o crime, segundo a investigação Vítima caiu de janela de alojamento em Londrina. Reprodução Alexandre estava visitando a namorada e, por volta das 22h30 de 13 de agosto, foi confrontado, com uma faca, pelos quatro suspeitos. Eles acreditavam que ele tinha furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil e outros pertences. No início da investigação, o delegado Miguel Chibani informou que Alexandre foi trancado em um dos cômodos do apartamento, teve os pés e mãos amarrados com um cabo de extensão e passou a ser agredido. Ainda segundo Chibani, os suspeitos forçaram Alexandre a ingerir dois comprimidos de uma medicação que causa irresponsividade — estado clínico em que a pessoa não reage a estímulos externos, como chamados verbais, toque ou dor. Foram ao menos quatro horas de sucessivos ataques contra a vítima. "Ele acabou falando a respeito do furto e admitiu. A vítima do furto, que no caso é coautora dessa tortura, acabou ainda na madrugada se deslocando e conseguiu conversar com o comprador da câmera, que já tinha se desfeito dela em troca de um celular e de uma quantia em dinheiro", Um dos suspeitos pediu uma pizza depois que Alexandre foi agredido. Logo após a morte, o caso chegou a ser tratado como suicídio. Porém, no local do crime, agentes notaram que a chave que trancava o cômodo do qual a vítima caiu estava para o lado de fora da porta, o que levantou suspeita de crime. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/09/01/namorada-jovem-queda-predio-parana.ghtml


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