Peças encontradas em obra de rodovia do Paraná podem fazer parte da história do Ciclo do Café e chegada de imigrantes na região
27/08/2026
(Foto: Reprodução) Cinco sítios arqueológicos são identificados em obra de duplicação da BR-153
As peças que foram encontradas durante as obras de duplicação da BR-153, entre Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, no Norte do Paraná, podem ajudar a contar a história do Ciclo do Café na região e a chegada de migrantes e imigrantes, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Para o arqueólogo Filipe Coelho, coordenador do projeto de salvamento arqueológico da concessionária EPR Litoral Pioneiro, as peças podem ser do período de 1860. Há a suspeita de que, à época, o trecho era uma rota entre o Paraná e São Paulo, em que passavam charretes de viajantes a caminho de áreas de plantio.
Desde o início das obras, o Iphan havia feito a recomendação à concessionária de monitoramento arqueológico. Deste modo, os fragmentos de louças, vidros e porcelanas foram resgatados ao longo dos km 7, 22 e 23. Veja no vídeo acima.
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"[...] evidências da ocupação histórica do estado, relacionada ao Ciclo do Café, quando pioneiros desbravaram terras e implantaram os primeiros cafezais, atraindo migrantes e imigrantes, como japoneses, italianos e alemães, que contribuíram para a diversidade cultural da região", disse o Iphan.
Peças encontradas nas obras.
EPR Litoral Pioneiro
🔎 Entre o fim do século XIX e o início do século XX, cafeicultores de São Paulo chegaram ao Norte do Paraná. De 1900 a 1945, houve a implantação da cultura no estado, com expansão até 1974. Na década de 1960, por exemplo, a região foi responsável por cerca de 51% do café produzido no mundo.
No total, cinco sítios arqueológicos foram encontrados ao longo das obras da BR-153, de acordo com a EPR Litoral Pioneiro.
Apesar dos achados, as obras não foram paralisadas e seguem o cronograma.
Fragmentos encontrados na obra de duplicação da BR-153, no Paraná.
EPR Litoral Pioneiro
Grafismos em pedra
Um dos sítios arqueológicos citados pela concessionária fica na Pedra Criminosa, uma formação rochosa às margens da BR-153, em Jacarezinho. Nela, os arqueólogos localizaram grafismo.
Para o local, o Iphan informou que serão elaborados um programa de gestão do patrimônio arqueológico e um projeto de visitação do sítio. Esses trabalhos incluem registro fotográfico dos grafismos rupestres, conservação e limpeza da pedra e sinalização.
Grafismos encontrados na Pedra Criminosa.
EPR Litoral Pioneiro
Grafismos encontrados na Pedra Criminosa.
EPR Litoral Pioneiro
O que será feito com as peças
Após retirada e primeira análise, o material será encaminhado ao Laboratório de Arqueologia, Etnologia e Etnohistória (LAEE) da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
"Essas peças passarão por uma triagem, uma limpeza e na sequência serão tombadas", explicou Cassia Padilha, coordenadora de sustentabilidade da concessionária.
A definição do período a que pertenciam pode colaborar com o conhecimento sobre a ocupação humana na região.
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