Suspeita de 'ritual satânico', réus inocentados e reabertura do caso: veja linha do tempo dos quase 20 anos de investigação sobre morte de criança no Paraná

  • 22/02/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia prende suspeito de matar menina quase 20 anos após o crime Martônio Alves Batista, de 55 anos, foi preso preventivamente em Londrina, no norte do Paraná, pela morte de Giovanna dos Reis Costa. A prisão aconteceu quase 20 anos após o crime, que aconteceu em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a delegada Camila Cecconello, da Polícia Civil (PC-PR), ele é o principal suspeito do crime e deve responder por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. Ao g1, a defesa de Martônio informou que está "levantando pontos técnicos" para levá-los à Justiça. Segundo o advogado Eduardo Caldeira, trata-se de um caso com lapso temporal e que "quando se trata de prisão preventiva, a lei exige fundamentos atuais e fundamentos concretos". ✅Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp A investigação que culminou na prisão, na quinta-feira (19), passou por diversas fases. Caso estava arquivado desde 2012, quando três réus foram inocentados por falta de provas após júri popular. Confira a linha do tempo: 📅 2006 Giovanna desapareceu no dia 10 de abril de 2006, enquanto vendia rifas escolares perto de casa, em Quatro Barras. Vizinhos se uniram à família para tentar encontrar a menina. Dois dias depois, em 12 de abril, o corpo dela foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. A vítima também tinha "sinais extremos de violência sexual", segundo a polícia. Giovanna tinha nove anos quando foi morta. Arquivo/RPC As roupas de Giovanna foram localizadas em outro terreno desocupado, a cerca de 50 metros de distância da casa onde morava a família da menina. "A criança desapareceu ali nas imediações e o corpo foi localizado ali também. Tudo indica que o crime ocorreu em uma daquelas residências", disse, na época, a delegada que era responsável pelo caso, Margareth Alferes de Oliveira Motta. A perícia constatou que a morte se deu por asfixia mecânica, como esganadura ou sufocamento. Martônio, que era vizinho da vítima, chegou a ser considerado suspeito e policiais foram à casa dele. A mulher que, à época, estava casada com Martônio disse aos policiais que ele estava sozinho em casa quando a criança sumiu. Os agentes encontraram um colchão com mancha de urina no imóvel e solicitaram que a mulher aguardasse a chegada da perícia. Entretanto, quando os policiais voltaram, o colchão não foi mais encontrado e a casa havia sido lavada com água sanitária. A perícia detectou que a calcinha de Giovanna também estava impregnada de urina. No quintal da casa do então suspeito, os policiais encontraram um fio de energia que era semelhante ao fio que estava amarrado ao corpo da criança. Apesar desses fatos, Martônio prestou depoimento e foi liberado. Essas roupas de Giovanna foram encontradas em frente à casa dele, que era vizinha à residência de uma casa de tarô, habitada por ciganos. A investigação conduzida pela polícia focou como suspeitos três pessoas que viviam nesse local. Martônio Alves Batista tem 55 anos e foi preso preventivamente em Londrina. Reprodução Em um dos documentos do inquérito feito após a reabertura do caso, uma testemunha afirma que, ao encontrar na casa objetos ligados à leitura de cartas, a investigação passou a considerar que o crime pudesse ter sido cometido em um "ritual satânico". Na época, fotos dos três ciganos foram publicadas na internet e a delegada que trabalhou no caso afirmou que havia "fortes indicativos de que o crime estivesse ligado a algum tipo de ritual". "Segundo a denúncia, a mulher, dois homens e uma adolescente se reuniram em uma residência na cidade de Quatro Barras (PR) e acertaram que precisavam extrair o sangue de uma criança do sexo feminino, virgem, a fim de que fossem realizados “trabalhos” para dar sorte e fertilidade a um parente que iria se casar em 14 de abril de 2006. Ela teria orientado os denunciados sobre como proceder na escolha da vítima e na coleta do sangue, sendo que o procedimento deveria se realizar na semana do casamento", consta em um artigo publicado pelo STF, em 2011. A Justiça expediu mandados de prisão contra as três pessoas, que ficaram foragidas. 📅 2007 Em maio de 2007, um homem e uma mulher que eram considerados suspeitos foram encontrados em Araçatuba (SP), na casa de uma familiar. Os dois foram localizados depois que a polícia foi ao endereço para conferir uma denúncia sobre o imóvel. Eles foram presos, mas sempre alegaram inocência. 📅 2008 O segundo homem – terceiro suspeito pelo crime – foi localizado e preso. Contudo, conseguiu um habeas corpus para aguardar o julgamento em liberdade. 📅 2012 Os acusados foram levados a júri popular em 2012. Na ocasião, tanto a acusação quanto a defesa se manifestaram pela absolvição por ausência de provas, tese que foi acolhida pelo Conselho de Sentença, resultando na absolvição dos três. Deste modo, o caso foi arquivado. 📅 2018 Martônio foi preso brevemente em março, por ter instalado câmeras no banheiro feminino de uma pastelaria da qual era dono, em Londrina. Na época, uma ex-enteada dele viu as reportagens sobre o caso e reconheceu Martônio. A jovem fez um comentário em uma publicação, dizendo que Martônio "ia pagar por tudo que fez com ela". A mãe dela viu a publicação e questionou a filha sobre a situação. Com isso, a jovem decidiu contar que foi abusada sexualmente por Martônio na infância. Um advogado, que tinha trabalhado na defesa dos ciganos, também viu o comentário e acionou a ex-enteada de Martônio. Ele entrou em contato com a jovem e a ajudou no caso. 📅 2019 A ex-enteada de Martônio procurou a delegacia e relatou que ele cometeu abusos sexuais contra ela. A jovem contou que foi vítima dele dos 11 aos 14 anos, mas afirmou que não contou a ninguém porque ele a ameaçava. 📅 2025 Durante a investigação de abuso sexual, a ex-enteada contou à polícia que Martônio a ameaçava dizendo que ela seria "a próxima Giovanna". "Nas ameaças, ele sempre cita que já havia feito muito mal para uma menina. Se ela contasse o que vinha acontecendo para alguém, ela também seria uma vítima", explicou a delegada. A mãe da jovem também relatou à delegada que, quando se relacionava com Martônio, chegou a confrontar o homem, ao perceber sinais de que a filha poderia ter sido vítima de abusos. "O Martônio, então, acaba dizendo para ela: 'você sabe aquele caso de Quatro Barras que eu disse que era testemunha? Eu não sou testemunha, eu fui o autor'", detalha a delegada Cecconello. Após esse depoimento, a delegada fez diligências sobre o caso, até então arquivado. Assim, ela conseguiu reunir provas contra Martônio para tentar reabrir o caso de Giovanna. 📅 2026 Momento da prisão de Martonio, em Londrina. PC-PR O caso foi desarquivado oficialmente pela Justiça, após a apresentação das evidências que ligam Martônio ao crime. A investigação sobre o assassinato de Giovanna foi reaberta dois meses antes de o crime prescrever. Pela legislação brasileira, crimes cuja pena máxima ultrapassa 12 anos — caso do homicídio qualificado — prescrevem em 20 anos, conforme o Código Penal. Por isso, o caso de Giovanna chegaria ao limite legal para prescrição em abril de 2026. No dia 19 de fevereiro, ele foi preso preventivamente em Londrina. Segundo a delegada responsável pela reabertura da investigação, o inquérito deve ser concluído nos próximos dias e encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR). Caso Martônio seja denunciado pelo MP, o crime não corre mais risco de prescrever. Infográfico - Caso de assassinato de criança é reaberto após 20 anos, no Paraná Arte/g1 Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2026/02/22/suspeita-de-ritual-satanico-reus-inocentados-e-reabertura-do-caso-veja-linha-do-tempo-dos-quase-20-anos-de-investigacao-sobre-morte-de-crianca-no-parana.ghtml


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